9.12.09

AHHHHHHHHHHHHHHHH!

Três tubos de pasta de dente, de diferentes marcas, vazios, na pia do banheiro. No espelho em frente, pingos brancos de espuma. Em redor aquele cheiro...


Um pote de sorvete boiando na água lodacenta de pó de café, restos de comida e gordura, na pia da cozinha. 

A lixeirinha branca está com a tampa marrom de sujeira.


A cozinha virou uma fazenda de mosquinhas drosófilas. A área de serviço, o vale do chulé. 

Quem anda descalço pela casa, cria uma casca preta, um tamanco de sujeira na sola do pé.


Precisamos de um novo síndico pra esse apê!

28.11.09

isso e aquilo



O bigode - Aquela matão?
E eu -  Aquele,  e uma de carne. 

É assim que eu sou atendido no Árabe do Largo do Machado. O matão é um mate grande da casa,  a de carne  é uma esfirra, uma das mais populares da cidade. Não vou falar sobre o Árabe do Largo do Machado porque se não teria que escrever um livro. Na síntese: é um dos estabelecimentos mais tradicionais do bairro.  Em algumas rodas é quase uma senha. Eu digo: moro no Largo do Machado e a pessoa pergunta do Árabe.
Naquela tarde, como em muitas, passei por lá e o dialogo se repetiu:

O bigode - Aquele Matão?
E eu - Aquele, e uma de queijo. 

Olho pro lado e vejo aquela morena. Caramba, num dia como de hoje esbarrar com ela parece ser um brinde que o acaso me deu. Minutos atrás, quando eu ia pra locadora, tinha pensado nela. E agora ela aparece logo ali, no Árabe. E olha que eu nem ia sair de casa naquela hora. Foi só saber que agente é vizinho e...

- Olá!!
- Ooi!
- Fala vizinha!
- Agora eu vi que a gente é realmente vizinho.
- Pois é.
- Foi só agente se encontrar uma vez para se encontrar sempre.
- Eu tinha acabado de pensar isso...Essa semana  aconteceu isso outras vezes. Eu penso numa coisa e ela acontece. Acho que  meus super-poderes estão de volta.Eu pensava nisso , e que poderia ser bem legal agente se esbarrar mais vezes por acaso, ou não.

E sua boquinha miúda descortinou aqueles dentes de pérola, num sorriso encantador...




27.11.09

Pesadelo

Você com aquela coisa ali pra você. Aquela coisa ali, mais gulosa de você do que de um chica-bom. Você, ali, contente por qualquer lugar que a sua mão pegue. Ela ali, querendo que você a pegue em todo canto. Suas mãos ali, fazendo a festa em cada curva. Uma delícia de curvas como você nunca viu, tocou. Uma delícia de cheiros. e formas. Carnes bem dosadas. Uma montanha russa pra língua. Aí, ela, aquela fêmea,  quer porque quer e, quer muito, qualquer coisa. E te morde e te lambe e te chupa e te beija com uma voracidade etíope. Aí você acha aquilo desconfortável, estranho, exagerado, ruim. Aí, você tenta se animar porque ela é um montão de coisa que você queriía. Aí, ela volta a ser um bicho faminto e chupa teu pau como se agoniada de uma bala de caramelo grudada entre os dentes. Teu pau nem é com ele. Ela chupa um tempo desnecessário, constrangedor. Ela chupa muitíssimo teu pau meia–bomba. E ele nem num. E ela nem nunm. Aquele pau a deriva naquela boca.  que chupa ao ponto de você dizer deixa disso. Você quer se enfiar naquela beldade, mas quer também que não seja agora. mas mesmo  assim você enfia aquela coisa meio mole pra lá em pra cá por um tempo, até o ponto que ela geme forte e mexe muito. como quem gozou. Você não goszou mas, asssim que tira,  seu pau derrete. Aí, finalmente, quando acabou, depois disso, você sabe que seu martírio chegou ao fim e que nunca mais entrarás numa buceta de uma mulher tão bela como aquela, tão gostosa, tezuda, cheirosa, quanto aquela que acaba de te causar tanta agonia.

17.11.09

moreninha


Uma morena assim, assim.
Com olhinho mel quase verde.
Com uma pintinha na bochecha.  
A moreninha usa saias com cores. 
Só coisa de mulherzinha mesmo. 
Cortou o beliho curto para mostrar a nuca.
Prende a franja de lado com um trancilim vermelho. 
Ela sabe que é uma femeazinha e tanto.
Ela não é alta, nem garota.
Não é espalhafatosa, nem boba.
Ela tem uma tatto discreta.
Tem um cheiro que interessa ao nariz.
Quando fala não abre muito a boca.
Quando sorri pulveriza corações.
E como se não bastasse, e como se fosse pouco,  a moreninha, além de tudo, é inteligente!


Ái meu Deus!Ah! Se me desse bola!   


16.11.09

arroto de soda cáustica

sem paciência pra muita coisa, 
meu mau humor é de arracancar um culhão do saco,
quando tudo é bom cintila e floresce, 
quando as coisa são chatas são bile a balde. 
Saio pouco do sério, mas se saio não me aturo. 
Por hoje sinto azia na alma!

12.11.09

conversa fiada

Concerta-se persianas, janelas guilhotinas, toldos e basculantes , diz a placa daquele homem sentado na calçada em frente ao Banco do Brasil da rua do Catete. Minha mana pensa que o cara não deve ter trabalho nunca, sempre está ali. Eu penso que se ele não muda de ponto é porque ali deve ter sempre trabalho pra ele. Porque não sai? Especulamos mais um monte de coisas em torno desse personagem. Nisso descobri que minha irmã também coleciona figuras do Largo do Machado. Falamos um monte sobre várias delas: o cara que faz estátua viva, o anão sem braço com vozeirão de Nelson Gonçalves, os índios Peruanos fantasiados com roupa de faroeste, o mendigo-pancado-travesti,os músicos, etc... 
Coisa boa é conversa inútil com quem a gente gosta.

8.11.09

Da noite


Ao redor a musica tocava frenética, as pessoas circulavam falando aos brados, eu tinha minha boca molhada de cerveja, ela tinha a boca geladinha de blood mary, a luz estava baixa sem estar escuro, havia garrafas vazias sobre a mesa e quem estava conosco tinha saído para dançar, pra fumar, pra beber, pra, pra, pra... Eu estava algo eufórico, ela estava radiante. Eu estava prêmio Nobel, ela estava um atentado a Bagdá. Cheguei perto sem sair do meu  lugar, ela empinou-se com minha proximidade e, sem mais, tasquei-lhe um beijo-bote. Segurei com meu seis braços em seus ombro-quadril-pescoço-bunda-rosto-e-coxas. Ela enredou-se em meus cabelos, entregou-se aos meus apertos, me espremeu com seus tentáculos. Nos beijamos esfomeados um do outro, por uns oito minutos ininterruptos.  Um beijo como um beijo deve ser.

blá

Engraçado isso: faz que sim, sorri, faz que não, banca a espontânea: tudo farsa! Não acho estranho. Não me surpreendo com esse tipo de de gesto. Os conheço de outras datas. Sei dançar a música que está tocando. A desfaçatez é engraçada. Não. Não estive indiferente com a sua presença. Não sou indiferente nem com um trocador de ônibus, se eu o visse duas vezes. Não fiquei  indiferente a você. Mas preferi percebê-la apenas com o recanto dos olhos. Nunca fomos amigos, bancar o simpático não daria pra mim.  Pura falta de motivo. Engraçado, ouvi diversas vezes a frase: Estás com ela? Por quê? Ela só se interessa por esquisitos! Ouvi  isso de diferentes modos, vindo das bocas mais distintas. No lugar de idiotas, já ouvi: imbecis, pela-sacos,  boçais, burros  e estranhos. Sempre me dissertam isso com quem faz exceção a regra ao se referir a mim, e hoje eu tive certeza de que fui o estrangeira da lista. Por mim tudo bem...  Não é de hoje que penso que você se desperdiça. Te vendo assim, voltando a te olhar, percebi o que já sabia, há em você uma tristeza subterrânea, uma magoa encarcerada em ra-rás, um desnorteamento despercebido. E te vendo assim, tão qualquer nota, tive a certeza de do meu egano. Que tive um resquício infantil aflorado, uma mentira que se conta para si, que se esquece de que deveria ser desfeita. E vendo tudo isso, achei ótimo que o tempo tenha passado e que tenha nos jogado para qualquer canto longe um do outro.  Por agora, fica evidente que minha capacidade de ficcionista foi maior que o nosso esbarrão. Enfim, que o que houve, não foi imprescindível e, portanto, teria sido mais sábio tê-lo evitado. Mas a sabedoria é um fruto do tempo. Só agora me vem.  Bom vê-la num dia como hoje. Um pouco triste em testemunhar um equívoco retroativo, mas  contente em saber que a cegueira, por ora, me erra. 

27.10.09

disso de dormir com alguém


Isso de ficar pelado, por muito tempo com uma mulher, de dormir engalfinhado. Sabe isso de apertar, de pegar o braço de punhado, de por a palma no peito e espremê-lo de mão cheia; ou por o dedo no bico e buli-lo, de por duro o mamilo. Na nuca aquele cheiro de coisa toda: de sabonete, suor, laquê, cigarro, perfume, saliva, hidratante, xampú. E você lá, ali. Dorme-se pelos olhos, acorda-se pelo nariz, que funga tudo que pode e volta a dormir. Dorme-se acorda um milhão de vezes por minuto.Ah é!  O nome dessa languidez é lascívia!! Uma plavra que encaracola a lingua como traços art-noveau que vão sem anunciar quando chegaram porque não param de fazer curvas em torno de si... Dorme-se num pensamnto sem eira... Acorda-se pelo pau que serpenteia quando percebe uma branca bunda boa! Logo se espicha. Se encaixa na curva como um gancho. Aí já era! Começa o espreme-amarrota e aquele silêncio arfante.  E agora o gudunha-esfrega. As bucetas encaracoladas não lanham a glande cabeça. E roça-desliza. E vai-se e finca-se.  Todos os angulos e recantos num intinerário mínimo. A graça toda é essa: percorrer muitas vezes um caminho repetitivo.  Já não é uma foda, é uma firúla, uma folia, uma farra fúriosa; até que chega o derradeiro espasmo lambuzado, desmantelado e manso. Dito pelo não-dito. Tudo alí, debatido, entendido. Poucas coisa são mais eloqüentes do que uma trepada silenciosa.


12.10.09

vivendo e aprendendo a jogar


Tamo aí no mundo, ganhando e gastando, perdendo e cedendo,  fudendo e gozando, e enquanto isso, tomando na cabeça com maior ou menor intensidade . Tem uma arte que é tomar na cabeça e saber que isso passa. Quando moleque tomava muita porrada na cabeça. Porrada pra pertencer ao grupo dos grandes. Mas depois que entrava no grupo ganhava um destaque rápido. Tomar na cabeça é parte do acordo. Por isso hoje não finco tanta banca de forte frente às roubadas do dia-a-dia. Nunca fui forte. Nunca convenci ninguém a parar de me bater, dando porrada. Meu talento sempre foi a insistência. Hoje em dia já aprendi a apanhar. Estou a um pé da estafa, mal dormido, malhadíssimo. Mas sem um aí pra piar.  Lidando com os limites do corpo. Uma noite de dança, fumaça e bebedeira, outra de trampo de macho estivador, meio dia sou o intelectual da arte, na madruga bebo wisk numa boate de strip, uma manhã na sala dos professores, um fim de tarde ouvindo aplausos. E agora chazinho de limão e camomila. Vivendo as alegrias sem menosprezar as tristezas e o cansaço os dois se completam!Estou esperando ganhar peso desse lado da gangorra!