30.1.10

De volta a estrada



Que diverttido, que louco, que inusitado! Eu como ator do espetáculo que dirigi!Eu já tinha esquecido que representar era essa cocaína toda! Uma seqüência de circunstãncias e acasos e cá estou eu no palco! A bola da vez é o Chiquinho quinta –feira, no projeto Férias nota  10, da prefeitura de Niterói. Apresentações ás 10hs da matina. Isto é, às 9h montando as coisas, às 8hs transportando o cenário, às 7hs saindo do Rio.  Mó trampo! Cada dia uma escola, já foram todas. Em cada lugar um perrengue novo, eu jogado aos leões, trinta pensamentos por segundo durante 40 minutos. Saio de cena eufórico e encharcado de suor! Feliz, cansado e encharcado!Nada mal como primeiro trampo do ano!

27.1.10

brinquedo pra se ter!

25.1.10

Maravilhas do word


Eu ia escrever sobre uma coisa que não sabia bem qual era. Muitas vezes é assim, agente escreve sem saber e só no meio do caminho descobre porque começou e, sobre o que aquilo diz respeito.  Mas quando a coisa não avança fica inevitável reler o já escrito para ver se pinta alguma pista. Nada. Apenas pululava uma inquietação, a repetição do sobre: "eu ia escrever sobre..."e  "sobre o que, aquilo.." . Dois sobres! Bem, o segundo poderia ser substituído, ficaria "...descobre porque começou e, a proposito de que, aquilo..." Achei bom, apesar de pouco espontâneo, mas vá lá a propósito de que. Engraçado isso, sai o o entra o de. Foda-se. Não era sobre isso que eu ia escrever. Era... Lá vem o sobre de novo. Maldito cacoete estilístico!  Tá bom! Word amigo velho, me salve dessa. Cursor sobre o sobre ( ih!), clic no botão da direita, clic nos sinônimos e... lá vai, sinônimo para sobre:

 a propósito de - curachim - mitra - rabadela - rabadilha - sobrecú - uropígio

Carái!!Nunca me ocorreu que uma palavra pudesse  ter tantos sinônimos incongruentes, que não significam a mesma coisa. E que palavras fantásticas! Talvez fosse isso, eu precisava conhecer esses vocábulos cabulosos!  É isso, ou o word é um idiota.

Mandei o Word  tomar no uropígio, despachei a postagem e partí pra outra...


20.1.10

menina prodígio!

A menina adorável de que tanto falam!Mallu Magalhaes: um transtono, um acontecimento!
Maldito Marcelo Camelo! 

Um dia atípico


Dia divertido. Dia estranho. Dia atípico. Dia agitado. Dia que vale por semanas.
Se fosse mais atípico seria  inverossímil. Rapidinhas: Niterói, ás 8h da manhã, um forno. Eu como ator, dirigido por mim mesmo, numa estréia matutina, ganhando um cascalho honestinho. Chiquinho na estrada de novo. Divertidez! Teve palmas e abraço de criança. O dia seguiu com suco de melancia, e o calor estava de rachar a ponte. Antes que rachasse, eu e Bob pegamos um busão cujo ar condicionado estava polar, de gelar o mindinho mesmo. Fome de leão, sono de urso, casa, rango feito rápido e bom, limonada suíça com acerola, sesta merecida. Ligações, saída agilizada, papo com café expresso no Leblon, recebo um dinheiro atrasado de longas datas (Ufa!). Dilúvio em Ipanema, descombinar o próximo programa, a estréia da coleguinha, recombinar o trajeto, trocar de parceria, pink floyd no som do carro-carona, mudança de planos de novo, cerveja, papo acadêmico em último grau: poesia sonora, arte sonora e sonologia. Santa Tereza na casa de desconhecidos, muitos homens numa sala e uma única mulher (um clássico!), outra casa de desconhecido no subsolo, Quero ser John Malcovitch seria uma explicação para a porta daquele mocó, uma festa dos cuecas sem menor crise, pão com lingüiça, o personagem da noite é o vendedor fanático, história e mais história inéditas, cerveja e mais cerveja, sono, carona pra Lapa ( milagre! ), véspera de feriado a Lapa está inviável, táxi pra casa e, pra fechar, como se não bastasse, tenho que enxotar um morcego no chão do corredor do meu prédio, o último morcego na zona sul, escrevo essas bêbadas  linhas e caio na cama , cozido de calor... 

17.1.10

da gaveta - Chiquinho quinta feira


Escrevi esse rascunho na época que o Chiquinho estava na estrada e esqueci de postar. Lá vai!

Quando banco o técnico, não sou o mais sagaz do mundo, mas sou capaz de resolver sem susto, o que for preciso para uma luz. Mas, sem dúvida, como diretor sou mais competente. O chato é quando estou dirigindo e tenho que bancar o técnico para mim mesmo. Nessas ocasiões tenho muito que suar e preciso ter muita paciência comigo.  Contudo, eu e eu mesmo nos damos bem. Hoje eu suei e dei conta. Hoje foi minha estréia na luz do espetáculo que dirigi. Não é a primeira vez que ilumino um espetáculo que dirigi. É a primeira vez neste. Hoje a iluminadora deu pra traz. (sem comentários pra não xingar aquela vaca). O Bob, do som, atendeu o fone antes do Ratto, da luz. Fechamos com o Bob. Ok, a luz sobrou pra mim. Com disposição não existe roubada, tudo vira história pra contar.
Vamos lá, começa o dia: apresentação do Infantil em São Gonçalo, aquele subúrbio festivo do lado de lá da poça. É um domingo ensolarado de primavera que mais parecia o auge do verão. É dia de Cosme e Damião (os doces santos infantis!). A van sai de Botafogo com os quatro cuecas: o ator,o contra-regra, o do som e eu (diretor e dublê de iluminador). Desviávamos de crianças correndo atrás de doces e seguimos em boa velocidade pelos nossos cartões postais: enseada de Botafogo, Aterro, ponte Rio-Niterói... O dia estava iluminado como um permanente comercial de margarina. O ator estava numa nostalgia de ex-morador de Niterói, o que rendeu boas piadas. O Bob estava com sua risada escalafobética a deriva, o que no caso dele, significa bom humor. O Nilson, com suas tiradas de putaria a cada frase que alguém dissesse, e eu com o tagarelório aberto.  
A tarde foi engraçada, chegamos, descarregamos, montamos tudo, almoçamos vimos as bundas saídas da piscina, demos nota, voltamos pra montagem, apresentamos, foi alto astral apesar de não ter sido dos melhores, desmontamos e nos metemos de volta na van. A conversa da volta era minha estréia como iluminador. Passei no teste.  Naquela hora éramos uma banda de rock voltando da turnê, com o cansaço feliz do trabalho realizado.

13.1.10

memórias do dia de hoje


...no caixa do super já tinha feito a boa ação do dia deixando a senhora com uma caixa de caldo Knor, passar na minha frente. O cara anterior a ela já tinha se recusado, mas já passei por essas e sei como é chato. A tia passou me agradecendo muitíssimo. Foi o tempo exato de ouvir uma outra senhora, ainda mais velha, atrás de mim, cantar animadíssima um Lulu Santos. A música tocava nos auto-falantes e a velhinha despercebidamente acompanhava:


...Hoje o tempo voa amor,
Escorre pelas mãos
E não hé tempo que volte, amor,
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir...



 Eu vi aquele mar incrivelmente brilhante e me senti seduzido. Me lancei como estava. Lá dentro, avistei nas pedras da costa, minha linda família acenando pra mim. Eles me apontavam que havia tartarugas na água. Avistei uma, fiz uma brincadeira e eles riram muito. Depois fui na direção deles e subi nas pedras sem medo de me ralar pois estava de sapatos. Meu pai, minha mãe, minha mana ficaram feliz de me ver e não conseguiam parar de rir do fato d’eu ter entrado no mar de roupa e tudo. Só quando saí d’água minha mana sacou que eu não tinha tirado nem o terno. E ela ria convulsivamente e falava:
- Você é um Bufo! Você é um bufo! Olha só mãe, só o bufão do meu irmão pra entrar no mar de terno e sapatos!
E todos riam a valer.


Eu já tinha pago a conta e estava empacotando os produtos quando lembrei que nessa noite tinha sonhado isso.

O dia melhorou muitíssimo depois dessa lembrança.



12.1.10

Conto insone

No meio da noite de ontem acordei enxarcado de suor. Foi um sonho, ou um pensamento. Não sei. Sentei no computador martelei as teclas antes que esquecesse. Foi isso:


Ele tava feliz da vida de ter conseguido o trampo da marinha mercante. Grana alta pra quem tinha estudado tão pouco. Eletricista com três cursinhos fazendo mais de três paus. Ficou vaidoso e não escondia de ninguém porque achava bonito isso de andar de branco. Mas como todos sabem destino de marujo é chifre. No caso dele não foi diferente. A mulher dele era direita e tal, crente e tal, mas era jeitosa. E alem do mais vagabundo adora ver neguinho metido, tomando na cabeça. Na favela não tem essa de fui ali volto já, guarda meu lugar. Mulher então, neguinho mete a mão. A dona bem que tentou. O vizinho começou com cordialidade gratuita e ela só cortando seca. Mas o cara já tava na maldade, quando via calça branca na corda sabia que o pato tava fora d’água, por isso não se aproximava. Quando as calças sumiam do varal, começava  a se oferecer pra fazer qualquer tipo de prenda doméstica masculina.  carregar o bujão de gás, pra trocar a lâmpada, pra exterminar casa de marimbondo e o escambau. A dona já tinha reparado que aquele crioulo estava solícito de mais, mas resistia. Mesmo assim não podia deixar de tremer quando via aquele macho fazendo força pra ela a troco de nada. Quanto mais tempo passava desde que as calças do marido tinham saído do varal, mais difícil era segurar seus olhos que já tinham mapeado o moço inteiro. Aí sabe como é, buceta nova é coisa que não fica fora de uso muito tempo. Numa dessas o negão partiu pra cima e fez o que já tinha avisado pra rapaziada que faria, traçou a dona em todos os cantos da casa, de todo jeito que pôde. Nas visitas seguintes, a mulher baixou a vista com vergonha do vizinho, mas não tardou pra servi-lo do mesmo jeito, ou ainda com mais fartura. Virou cliente do puto, a condição era que o marido não soubesse porque lhe tinha muito amor e respeito. E foi por isso que o negão inventou a senha que cantarolava pelo portão:
- Iansã cadê Ogum?
 Sempre que podia, ela respondia pelos basculantes da cozinha:
- Foi pro mar... 
Quando esse refrão tinha resposta, era certo que o samba ia seguir pela tarde inteira.  

11.1.10

quando o sujeito é cabaço...



Estou no meu quarto sentado no computador. O pacóvio que divide ap. comigo vem me dizer todo animado:
- Cara, sabe que esses dias, pela entrada de ventilação do banheiro, eu ouvi um casal transando.
- Sério?
- Sério! E durou.
- Maneiro, desde que eu vim pra cá nunca ouvi nada.
- Então dei sorte!
- Deu! (pausa) Mas e aí, tocou uma punhetinha?
- (rsrs) Não.Eu tava me arrumando pra sair.

( dias depois ,16hs da tarde, estou escrevendo no meu quarto e vem ele...)

- Aramis vem ouvir, aquela sacanagem no banheiro. Escuta os gemidos...
O cara está com uma cara suada e risonha. Corro pra ouvir, e de fato os gemidos tão lá mas..
- Pô cara, isso já tá rolando há uns minutos ?
-Já.   
- E dessa vez você não está de saída ?
- Não. (pausa)
- Então rendeu uma punhetinha, né safado?!!
Eu rio, ele não responde constrangido. Deve ter rolado. Mas continuo ...
- Cara, repara bem esse gemido..
- Ãhn? Tô ouvindo...
- Saca bem o som, a respiração... é uma pessoa só.
-Cê acha que é uma siririca?
- Cara, não é não.
- O que cê acha que é?
- Meu amigo, esse gemido tá aí desde que vim morar nesse ap.
-E o que é então?
- Sinto te dizer mas essa punhetinha que você tocou foi pra uma senhora que se rói de prisão de ventre sempre que senta no trono!   


8.1.10

o ano inaugurado


O ano começa tateando, tímido como um namorado que visita a família da moça pela  primeira vez. Na minha cabeça sete idéias ao mesmo tempo, nenhuma com um vetor preciso. Fico na sombra, lendo compulsivamente pra ver se algum shazam me acerta. Muitos acontecimentos, todos dentro de mim.  Adorava esse desenho, Shazan, o cara de roupa vermelha grita essa palavra esdrúxula junto com uma palma de mão e um raio sai dele destruindo o que quer que fosse. Sempre achei o Shazan (Capitão Marvel, se não me engano) mais fodão do que o Superman. Mas enquanto isso - eu ia dizendo na Sala da Justiça- no Largo do Machado, nada acontece. Tudo anda ameno como se tomado de ressaca.  A fauna de camelôs pitorescos ainda não voltou. O Pobre Marley, o negão do violão, tirou a barba e faz vaticínios de um dilúvio e é só. Qualquer hora eu grito SHAZAN! aí vocês vão ver ! Por enquanto vinte-dez é só um número engraçado numa folha em branco.