Eu gosto de camelôs. Os coleciono. Há quem diga que eu seja um. Talvez possa ser verdade. Mas o caso é que os admiro. Sorrio da sua malícia, quando os vejo vendendo guarda chuvas minutos após o início do temporal, ou até antes. Sempre me surpreendo com a criatividade dos pregões e eslogans de rua. Em baixo de minha janela, o vendedor de frutas, desde às 8:00hs, no começo do expediente, anuncia " 3 por 5 pra acabar!". Aqui no Largo do Machado eles são uma fauna. A variedade é surpreende. Vendem todo tipo de traquitana doméstica, frutas, almofadas, revistas, quadros , roupas, livros , churros , discos , esculturas , até moveis.
Tem alguns tipos híbridos como os cegos. Só aqui na praça tem dois. Fazem um misto de medicância com comércio. Eles usam algo que faça barulho, como um chocalho e vendem coisas estupidas, quase inúteis, tipo elástico de dinheiro, naftalinas e kit de agulhas. Outro tipo curioso são os músicos. Esses são geniais, pois sintetizam pregão e produto, num só pacote.Vendem sua música. Não se postam como mendigos. Sempre tem músicos por aqui, tem um negão que está sempre rindo e tocando reggae, o o chamo de "Pobre Marley" . Um outro toca sanfona e canta. Canta aos berros e espreme o fole com muita energia. Parece meio raivoso. O que toca um violino desafinado é alegria das vovozinhas. Seu repertório são aqueles clássicos que já viraram toque de celular. Há uma infinidade de outros tipos, não tentarei classifaca-los.Os camelôs daqui são personalísimos. Tem um que vende elástico a metro e só. O dia inteiro vendendo elástico a metro! Tem que ser muito fodão pra viver disso. Outro que vende esculturas feitos de palha de palmeira. Só não pode dar confiança de demonstrar interesse e perguntar. Se fizer isto o cara gruda em você impiedosamente e despeja uma infinidades de curiosiadades que você nunca quis saber. O último camelô que que conheci por aqui foiu um vendedor de discos. O seu o ponto é na rua do Catete. Figuraça que tira onda de especialista. De fato é. Confere os discos um por um, aceita encomendas e desafios, fala de como conserva-los, conhece todo tipo de música dos clássicos do choro, das orquestras ao forró e Havy metal, fala de tecnologia, e coleciona agulhas de som, diz que tem umas que valem mais de 10 mil pilas...
No dia que eu tiver que sair deste Largo do Machado sentirei muita falta desta babel toda!


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