Sei lá qual é! Sei lá qual não é! Só sei que um raio de iluminação me veio. Um raio que estava fora de mim mas que me pode ser devolvido. Um raio que foi capaz de ser sentido, vibrado e transformado em compreensão das coisas. Um daquele momentos de rara plenitude que só a clareza traz. Vou fazer do óbvio minha filosofia de vida. As grandes coisas, as mais importantes são as óbvias. As que sempre estiveram a um palmo do nariz e não puderam ser vistas. As que nós sempre soubemos mais não podiam vir a tona, por medo, estupidez, por distração ou simplesmente porque somos animais de couro grosso e na maior parte das vezes incapazes da fala. Por isso agora me faço um Messias que fala em nome do óbvio. Estas verdades por exemplo, sempre existiram, só precisavam ser faladas. Estas palavras também, só precisavam ser arrumadas assim. Miguelangelo enquanto martelava com o cinzel no mármore dizia que a escultura sempre esteve lá dentro, o que ele precisaria fazer era apenas retirar as pedras que a cobriam. Miguelangelo era um gênio por isso mantinha-se iluminado. Já eu, tenho fiapos de iluminação, mas que, como não sou Miguelangelo, tenho que me agarrar a eles. E é por isso que eu me agarro ao fato de que quando uma coisa obvia é revelada, ela já não pode se escamotear. Disfarça-se, mas em alguma região subterrânea,sabe-se que ela está lá. Ontem consegui fazer emergir algumas coisas deste tipo.Coisas submersas a tempos nas cotidianarias. Coisas que tornariam a vida mais simples se percebidas antes, mas que só puderam ser percebidas agora. Ontem eu entendi um pouco do grande mistério que é o encontro de um homem e uma mulher. Um mundo entre dois mundos. A força da gravidade entre Sol e Terra, entre e Terra e Lua não dão conta da infinidade de forças que estão em jogo num encontro como estes. Quando essas órbitas se aprumam, a de um homem e uma mulher, toda a maravilha fica ao seu alcance. Tudo que é invisível permanece invisível, mas torna-se palpável. Tudo que é suposto pode ser sentido, e muito do que é sentido não precisa ser dito, mas ninguém dúvida que esteja lá. Agora eu sei disso. E sei de meia dúzia de segredos sobre tudo que sempre pareceu aleatório, mas que é só a vida. Não os descobri sozinho e não os quero só pra mim. Mas também, agora que os sei, não quero dividi-los com ninguem que queria algo menos que o máximo comigo. O máximo. É só o que quero. Só o máximo. A 2.