31.8.08

Bom dia tristeza

Não, não! Acalmem-se estou tranqüilo. Estou só triste. Uma tristeza boa , convicta, sem desespero, necessária até. Não é caso de Tango. Talvez Lupcínio Rodrigues, mas tentei cantar e nenhuma múscia coube em minha boca. Tentei cantar Um samba canção "...se você não me queria, não devia me procurar" mas sequer me veio a letra. Então, é uma tristeza que não chega aos pés da alegria de bem pouco atrás, e por ser deste tamanho é uma tristeza bem vinda até. Tristeza íntegra, uma nuance da alegria. Sua contraface. Wesley meu amigo da vez, disse que a grande cena do Grande Otelo com o Oscarito, a da Julieta , ele fez no dia que enterrou o filho. Os grandes palhaços sempre são meio melancólicos. Hoje vi um espetáculo infantil, e me emocionei como não me emocionava nos espetáculos para adultos. Chorei duas vezes. Eram palhaços, belos e tristes, feios e delicados. Uma perolazinha. Me fizeram entender qual o sentido da lágrima no rosto do Pierrô.
Por isso deixem-me com minha tristeza, que é acima de tudo justa, mansa e sem alarde.

26.8.08

Camelôs

Eu gosto de camelôs. Os coleciono. Há quem diga que eu seja um. Talvez possa ser verdade. Mas o caso é que os admiro. Sorrio da sua malícia, quando os vejo vendendo guarda chuvas minutos após o início do temporal, ou até antes. Sempre me surpreendo com a criatividade dos pregões e eslogans de rua. Em baixo de minha janela, o vendedor de frutas, desde às 8:00hs, no começo do expediente, anuncia " 3 por 5 pra acabar!". Aqui no Largo do Machado eles são uma fauna. A variedade é surpreende. Vendem todo tipo de traquitana doméstica, frutas, almofadas, revistas, quadros , roupas, livros , churros , discos , esculturas , até moveis.
Tem alguns tipos híbridos como os cegos. Só aqui na praça tem dois. Fazem um misto de medicância com comércio. Eles usam algo que faça barulho, como um chocalho e vendem coisas estupidas, quase inúteis, tipo elástico de dinheiro, naftalinas e kit de agulhas. Outro tipo curioso são os músicos. Esses são geniais, pois sintetizam pregão e produto, num só pacote.Vendem sua música. Não se postam como mendigos. Sempre tem músicos por aqui, tem um negão que está sempre rindo e tocando reggae, o o chamo de "Pobre Marley" . Um outro toca sanfona e canta. Canta aos berros e espreme o fole com muita energia. Parece meio raivoso. O que toca um violino desafinado é alegria das vovozinhas. Seu repertório são aqueles clássicos que já viraram toque de celular. Há uma infinidade de outros tipos, não tentarei classifaca-los.Os camelôs daqui são personalísimos. Tem um que vende elástico a metro e só. O dia inteiro vendendo elástico a metro! Tem que ser muito fodão pra viver disso. Outro que vende esculturas feitos de palha de palmeira. Só não pode dar confiança de demonstrar interesse e perguntar. Se fizer isto o cara gruda em você impiedosamente e despeja uma infinidades de curiosiadades que você nunca quis saber. O último camelô que que conheci por aqui foiu um vendedor de discos. O seu o ponto é na rua do Catete. Figuraça que tira onda de especialista. De fato é. Confere os discos um por um, aceita encomendas e desafios, fala de como conserva-los, conhece todo tipo de música dos clássicos do choro, das orquestras ao forró e Havy metal, fala de tecnologia, e coleciona agulhas de som, diz que tem umas que valem mais de 10 mil pilas...

No dia que eu tiver que sair deste Largo do Machado sentirei muita falta desta babel toda!


25.8.08

vai entender...

...a sorridente gordinha saliente, a cumpridona lânguida intelectual , a baranga tezuda espirituosa e a gracinha sem jeito que é uma égua. Quatro dias, quatro fêmeas de quatro, querendo qualquer coisa que eu queira. E eu nesta, babando a gravata, querendo estalar umas bitocas naquela larápia que está bem longe daqui.
Realmente não dá pra entender a lógica da cabeça de uma pica.

24.8.08

happy free friends (video)

para quem não conhece, uma aviso: quase todos os personagens fofinhos são mortos até o fim do desenho de formas bizarras.

23.8.08

A propósito

Agora, em que me vejo anos rejuvenescido, posso me dar ao luxo de ser inocente de novo. Voltei tanto no tempo que posso poder até mudar o mundo de novo. Aliás voltei não, o lado bom da adolescencia é que saltou do passado a minha procura. Voltei a acreditar no amor, na paixão, em Deus e até, vejam só vocês, nos homens! Saboreio por estes momentos as delicia de minha adolescência que me vem em golfadas. Agora que eu redescobri o aquela idéia sobre o óbvio, ando pelas ruas procurando mensagens subliminares no acaso. Ontem a noite enquanto andava, cantarolava aquela música, do Cazuza que tem aquele trecho que diz:

“ ...pra quem não sabe amar. Fica esperando alguém que caiba nos seus sonhos, como varizes que vão aumentando, como insetos em volta da Lâmpada”

Pensei. Sempre cuidei para não ser esse cara ,esse “quem”. E definitivamente, não sou. Já amei e desamei em condições adversas. E sei que o desamor é o vácuo do mundo. Sei que o amor é uma revolução que precisa ser permitida para que possa acontecer. Mas também não estou disposto a deixar passar alguém que caiba nos meus sonhos, por puro medo da tentativa. Sei que não fiquei até aqui esperando que ninguém aparecesse. Então, a menos que eu não caiba nos sonhos dela, estou pagando pra ver. Está claro pra mim: vibramos na mesma frequência , ambicionamos meio mundo, quando trepamos fazemos nossas almas se entenderem a partir do encontro do meu pau com sua buceta...

Enquanto andava pelas ruas de Botafogo conversando com ela que não estava lá mas que poderia me ouvir por telepatia. Enquanto dizia-lhe calorosamente estas coisas, perguntando se é ? se não é? Olhei a minha direita, no início da rua D. Mariana, e lá estava seu nome esculpido em letras douradas naquele edifício. Emprestando-lhe graça. Inevitavelmente sorri.

O acaso piscando um olho pra mim!
Escrevendo o nome dela no meu caminho, com h e tudo!

22.8.08

Intervalo comercial (convocação)


PRECISA-SE DE ATORES
para participação em Laboratório Teatral.


O processo coordenado pelo Ator e Diretor Aramís David Correia fará parte da pesquisa de mestrado sobre Teatralização de textos em prosa, e trabalhará com textos extraídos da obra de Samuel Beckett.
O laboratório acontecerá no horário de 10:30hs às 13:00hs, às quartas, quintas e sextas, com duração de seis semanas, e terá início em 3 de setembro de 2008.
Os interessados, favor comparecer no dia 29 de agosto, às 10:30hs na sala 503 do endereço abaixo. Levar roupa de trabalho.

Endereço: Av. Pasteur 436,fundos. Urca - CLA- Escola de teatro UNIRIO.

21.8.08

Esponja mergulhadora( video)

Pra voltar a ser cirança!

20.8.08

Sei lá qual é! Sei lá qual não é!

Sei lá qual é! Sei lá qual não é! Só sei que um raio de iluminação me veio. Um raio que estava fora de mim mas que me pode ser devolvido. Um raio que foi capaz de ser sentido, vibrado e transformado em compreensão das coisas. Um daquele momentos de rara plenitude que só a clareza traz. Vou fazer do óbvio minha filosofia de vida. As grandes coisas, as mais importantes são as óbvias. As que sempre estiveram a um palmo do nariz e não puderam ser vistas. As que nós sempre soubemos mais não podiam vir a tona, por medo, estupidez, por distração ou simplesmente porque somos animais de couro grosso e na maior parte das vezes incapazes da fala. Por isso agora me faço um Messias que fala em nome do óbvio. Estas verdades por exemplo, sempre existiram, só precisavam ser faladas. Estas palavras também, só precisavam ser arrumadas assim. Miguelangelo enquanto martelava com o cinzel no mármore dizia que a escultura sempre esteve lá dentro, o que ele precisaria fazer era apenas retirar as pedras que a cobriam. Miguelangelo era um gênio por isso mantinha-se iluminado. Já eu, tenho fiapos de iluminação, mas que, como não sou Miguelangelo, tenho que me agarrar a eles. E é por isso que eu me agarro ao fato de que quando uma coisa obvia é revelada, ela já não pode se escamotear. Disfarça-se, mas em alguma região subterrânea,sabe-se que ela está lá. Ontem consegui fazer emergir algumas coisas deste tipo.Coisas submersas a tempos nas cotidianarias. Coisas que tornariam a vida mais simples se percebidas antes, mas que só puderam ser percebidas agora. Ontem eu entendi um pouco do grande mistério que é o encontro de um homem e uma mulher. Um mundo entre dois mundos. A força da gravidade entre Sol e Terra, entre e Terra e Lua não dão conta da infinidade de forças que estão em jogo num encontro como estes. Quando essas órbitas se aprumam, a de um homem e uma mulher, toda a maravilha fica ao seu alcance. Tudo que é invisível permanece invisível, mas torna-se palpável. Tudo que é suposto pode ser sentido, e muito do que é sentido não precisa ser dito, mas ninguém dúvida que esteja lá. Agora eu sei disso. E sei de meia dúzia de segredos sobre tudo que sempre pareceu aleatório, mas que é só a vida. Não os descobri sozinho e não os quero só pra mim. Mas também, agora que os sei, não quero dividi-los com ninguem que queria algo menos que o máximo comigo. O máximo. É só o que quero. Só o máximo. A 2.

18.8.08

Como dar um tiro no pé:

Coloque balas. Estique o braço.Mire com convicção no meio do que você vê a sua frente. Abaixe a arma em direção ao seu pé, como se fosse atirar bem no meio de onde você mirou. Puxe o gatilho com gosto.
Não falha.



14.8.08

Duas figurinhas paraLela


10.8.08

1I limão 2 limões 3 limões

Estava com vontade de mijar. Perdi a vontade quando cheguei ao mictório e vi que no fundo da louça aquelas rodelas de limão. Sei que limão diminui o cheiro de mijo do ar. áCiDo + bAsE = sAl + áGuA. Mas que graça tem mijar em limões. Eu gostava de ir naquele lugar porque tinha sempre bolotas de naftalina para empurrar com o mijo pra lá e pra cá. Pastoreava umazinha perdida no lado de lá da louça, com o meu jato “vamos, você não vai ficar perdidazinha por este canto, não.” Empurrava para junto das outras. Ou ao contrário , espalhava todas se estivessem juntinhas. Quando não tinha naftalinas fazia o mesmo com fios de pentelho. Sabia quando tinha mudado a gerência pelo mictório. Umas raras vezes tinha uns blocos de gelo para fazer escultura, como o mijo quente. Gerente que bota gelo na louça, dura pouco.
Agora esse aí põe limão. Limão, porra!!
Não volto mais lá, enguanto não mudar a gerência!

7.8.08

puro fato

quem souber
diga o porquê
Não existe samba-canção
em promoção
no tamnho: P!

6.8.08

O corpo humano é... (retomando o mote)

O corpo humano quase todo é água.
Esquenta-me frenético lençol freático
Eu só não sou um
Gêiser por um triz
Apaixonado encharco
Gozo um chafariz!

5.8.08

Por estes dias:

... Fumei dois excelentes charutos; Na Prado Júnior duas putas fantásticas me deram um psiu para que eu visse seus rostos de beldade; Comi um naco de uma deliciosa torta alemã; Reencontrei mais de dez amigos de mais de dez anos de amizade; Comprei uma bicicleta e fique com pena do vendedor; Tive uma caganeira de três dias;Visitei pela primeira vez uma maternidade; Fui a uma peixada animada;Escutei tristes relatos sobre a morte; Vi um filme delicadíssimo; Gritei por excesso de tédio numa tarde solitária; Deflagrei uma coincidência fantástica com a morena que elogiava o ator “alto e esguio” que era exatamente eu; numa platéia de teatro puxei uma gargalhada do público com a minha; Trepei apaixonadamente com a mulher que está apaixonada por mim;Bebi cerveja gelada;Troquei os dias pelas noites;Deixei de pagar metade de uma conta cara porque era injusta e me retirei solenemente do restaurante sem me aborrecer; Ouvi discretamente num ônibus a conversa tezuda de uma coroa que contava para outra sobre como ela deu pro garotinho na escada de incêndio;Bebi cerveja quente; Conclui um trabalho enfadonho;Dei um abraço forte no meu amigo de estimação que aniversariava; Voltei a pensar em Deus;Tomei um vinho português com provolone com um ótimo papo com uma nova grande amiga;Fiz planos para o próximo espetáculo;Vi um sorriso exausto de uma mãe recém parída que coincidentemente é exatamente a minha irmã.

O mundo está coloridíssimo.

3.8.08

Sexta feira 1 de agosto de 2008.

Ok, se isso aqui tamém se presta a um diário vamos lá:

Escrito retardatário:

Sexta feira 1º de agosto de 2008. 16:45hs


Estou ansioso e emocionado.
Era para ser um dia tolo como outro qualquer. Fui visitar minha mana gravidinha, ajudei pendurando uma cortina para o futuro quarto do Baby, ouvindo o ti ti ti das duas - da mana(futura mãe) e de mamãe (futura vó).Ouvi as novas: o caso do conhecido que suicidou-se jogando-se de uma ponte em New Jersey, os modelos de almofada criado por elas, as dificuldades de montar o escritório no quarto de empregada, a influência da lua nos partos ... Voltei pra casa. Estava sem muita vontade de computador. Aí resolvi que este dia não ficaria neste marasmo. Inventei um grande acontecimento para ele: fui comprar uma bicicleta. Foi uma pechincha a bike estava em bom estado com pouco o que fazer. Fechei o negócio e tal. Deixei a bike na oficina. Mas sabe que não veio uma sensação de grande coisa. Talvez porque tive pena do cara que me vendeu. O cara estava fudido de grana, precisava vender o troço mas visivelmente gostava muito. Estava na dúvida quanto ao negócio. Começou a contar seus motivos para isso ou para aquilo. Foi me dando uma agonia que...
- O preço é esse? Você me diz. Se for , compro agora.
Ok. O acontecimento do dia foi este. Não foi como quando eu ganhei a primeira bicicleta na época do “ não esqueça minha caloi” , Mas foi uma alegriazinha para atenuar.Já estava me conformando... (paro de escrever toca o celular)
Minha mãe: 18:00hs a sala de parto vai está ocupada pela sua irmã!

Tá aí o acontecimento. Agora já não há marasmo, mas também já não consigo pensar coisa com coisa. Paro por ......