28.9.08

ata de um momento de prazer gratuíto

São 7hs da manhã. Repouso meu pés no murinho.Cadeira confortável, pernas espichadas. Meu all star está enlameado. O dia acaba de amanhecer e a festa não dá sinais de que chegará ao fim tão cedo. Me distraio olhando para meu tênis enquanto me labuzo comendo esta torta de chocolate. Desvio os olhos um pouquinho para direita e me perco nos os cintilares da Baia de Guanabara. Mesmo se a festa tivesse sido ruim teria valido por este terraço, este nascer de sol. Ainda bem que a festa foi boa, justificando esta maravilha de cenário. A música está alta.O Sol está delicioso. Os risos estão soltos. Perto de mim cinco pessoas estão se beijando amontoadas. Não sei se tem mais homens ou mulheres neste bolinho, mas eles estão num sarro coletivo muito engraçado.A suave luz da manhã revela rostos belos e fatigados da farra.Estou bêbado na medida. Cansado na medida. Eles me chamam para o bolinho. Chego bem perto, apenas dou uma bitoca numa beldade que estava no meio deste pacote. Prefiro não entrar nisso aí. Não sou tão descolado quanto as vezes faço de conta que sou. Línguas de mais pro meu gosto. Pego uma latinha de saideira. Transito pela festa. As pessoas estão deliciosamente lânguidas e bêbadas. Desço a longa e tortuosa escadaria rumo a saída. Deu.

27.9.08

hai cai

Não intriga,
nascer da moita que coça
doce fruta de urtiga?

23.9.08

repetindo minha frase meu bordão

repetindo minha frase meu bordão
cantando outra vez o refrão:
Um
poeta sem musa
Uma
etiqueta sem blusa
Ps: Preferia continuar sendo
um poeta sem etiqueta vendo
minha musa sem blusa.

21.9.08

Um pesadelo digno de nota

Não foi estra noite. Foi a uns dois meses atrás. Mas hoje corrigindo os trabalhos da Molecada me veio involuntariamente a mente, um pesadeleo que tive. Um desses que agente esquece ao acordar. Seria caso para fazer uma analista relembrar as suas grandes aulas sobre o inconsciente - caso eu fizesse análize. Vamos lá:

EU. NO CORREDOR DA ESCOLA QUE DOU AULA. A ESCOLA TÉCNICA QUE ESTUDEI NO ENSINO MÉDIO. A ESCOLA QUE DEIXEI PARA FAZER TEATRO. EU SAÍNDO DA SALA DOS PROFESSORES ,INDO PARA A SALA QUE DOU AULA,O AUDITÓRIO, AULA DE TEATRO, ESBARRO COM UM COLEGA QUE TINHA SIDO MEU PROFESSOR NA EPOCA QUE EU ERA ALUNO DE LÁ. CENA QUE ACONTECE SEMPRE. PAPO VAI. PAPO VEM. ELE DIZ:
... AINDA BEM QUE VOCÊ TEM TEMPO PARA FECHAR AS DISCIPLINAS QUE FALTARAM PARA VOCÊ.
- QUE DISCIPLINAS?
- AS QUE VOCÊ DEIXOU DE FAZER QUANDO ERA ALUNO.
-COMO ASSIM?
- É. COMO O PESSOAL GOSTA MUITO DE VOCÊ TE DARÃO ATÉ O FIM DO ANO, PARA FAZER O QUE FICOU PENDENTE.
-MAS ESTE ANO ACHO QUE...
-RAPAZ, É MELHOR VOCÊ FAZER SE NÃO, NÃO VÃO TER QUE CHAMAR OUTRA PESSOA NO SEU LUGAR.
- MAS NÃO TEM OUTRO PROFESSOR DE TEATRO QUE SAIBA MAIS DE QUÍMICA E BIOLOGIA DO QUE EU.
- CARA. SEMPRE TEM.
-TÁ VOU VER COMO ARRUMO AS COISAS.
E DESCI PARA MINHA AULA PENSANDO NA MINHA AGENDA DAQUI ATÉ O FIM DO ANO. ME IMAGINAVA EM SALA DE AULA ENTRE OS ADOLESCENTES E NERVOSO TENTEI VER SE EU CONSEGUIA LEMBRAR ALGUMA COISA DE QUÍMICA INORGÂNICA, FISÍCO-QUIMICA, ANÁLISE QUALITATIVA, ANÁLISE QUANTITATIVA, A FORMULA DOS ALDEÍDOS, A ORGANIZAÇÃO DOS COMPLEXOS,O MODELO MOSÁICO-FLÚIDO DA MEMBRANA CELULAR, A CONFIGURAÇÃO DE UM ANEL BENZÊNICO, O MECANISMO DA FOSFORILASE ...

17.9.08

Robert Johnson - Me and the Devil Blues

O blues tem me caído bem. Por isso aí vai uma pérola do famoso bluesman Robert Johnson, que vendeu a alma ao capeta para virar um gênio do Blues. Pra nós que ouvimos , foi um bom negócio.

14.9.08

relato de uma cidade submersa :aniversário

...Era assim. O Sol dava uma volta em torno da Terra . Não. Não A Terra dava uma volta em tono do Sol. Isso. A isso chamavam ano. A partir do dia que o sujeito vinha a vida começava-se a contar o número de voltas da Terra em torno do Sol. A cada volta um ano e ao dia que se fechava a volta chamavam Aniversário. Falarei um pouco sobre isso.
O povo de lá considerava a ocasião, como um momento especial e na maior parte das vezes uma situação festiva. Celebrava-se a repetição da chegada a vida e por manter-se naquele planeta. Por este motivo promoviam uma festividade chamada"aniversário”. O aniversário, apresentava certas variações de acordo com a região em que se dava , a posição do individuo dentro do grupo, e, ou seu momento de vida. Assim, por exemplo quando o individuo tinha passado poucas vezes por aquela experiência as celebrações eram percebidas com maior intensidade do que quando ele já havia passado por muitas. A complexidade e o número de participantes do evento também variava. Contudo certos protocolos prevaleciam apesar das variações.
Por exemplo, com freqüencia usava-se , dar oferendas ao individuo motivador da reunião. Chamavam o que era oferecido de presentes. Os presentes podiam ser de naturezas diversas, que poderia ser desde objetos de variável valor material e subjetivo, digno de apegos emotivos , ou mesmo favores e gentilezas especiais cedidos por parte de quem os oferecia.Era comum também o abundante consumo de comidas e bebidas, que se diferenciassem das usadas no cotidiano. Durante a ocasião era comum que a ingestão intenso destes produtos, retirasse os participantes de se seu estado habitual. Isto era considerado normal.Ocasionalmente havia música, podendo ou não , haver movimentos dos corpos ao modo de dança. Todos estes fatores corroboravam para uma atmosfera que, se de fato não fosse, se tornaria especial. Fazendo com que de todo modo a ocasião se tornasse digna de ser celebrada, por se tratar de um momento ímpar.O que me parece o ápice de todo este rito, envolve um elemento chamado bolo. O bolo era um alimento especialmente preparado para a ocasião. Seus ingredientes e as formas de prepara-lo variavam, mas em geral era de sabor agradável e de aparência cuidada . No momento mais importante da celebração todos se reuniam em
torno do bolo, entoavam cânticos de conhecimento de todos, acompanhados por palmas, e vozerios em geral. Em cima do bolo um objeto produzia uma chama. A chama possuía significados diversos, que não saberia dizer. Aquele que era o motivo da reunião regozijava-se especialmente com a ocasião. Era por tradição que o individuo festejado soprasse a chama posta sobre o bolo. Contudo , antes de fazê-lo deveria, como em uma oração, mentalizar pedidos para si ou para quem quer que ele quisesse. Se os pedidos se realizavam sempre? Embora haja controvérsias sobre este ponto. Acreditava-se que sim, e sempre e com excedentes.
Isto era o aniversário. Um reveillon pessoal, uma reciclagem de crenças, rito de passagem para uma nova vida, que se reinventava a partir da mesma. Idêntica a anterior apesar de outra. Similar e distinta.
Assim vivia-se por lá.

12.9.08

Um desenho para o Bill

11.9.08

fiapos de uma trama sendo escrita

Ele - ...Quero você como mulher e como amante!
Ela - Qual a vantagem de acumular funções?
Ele - Não precisarei arranjar outra fora você.
Ela - Não sei se é uma boa. Mulher já sou.
Ele - Acha que não vai dar conta da outra função?
Ela - É que não sei se tenho lugar na agenda...
Ele - Lugar na agenda é coisa de puta, eu disse amante.
Ela - Puta é um tipo de amante
Ele - É. Só que com taxímetro.
Ela - Mesmo assim, não me parece negócio.
Ele - Negócio tambeém é coisa de puta.É uma contra proposta?
Ela - Pode ser.
Ele – Amante, pode ser. Não te pago, tambem nâo te cobro, e garanto momentos para você se lembrar pra toda a vida. Se disser sim, sua única dificuldade será eleger desses momentos seu preferido.
Ela – Ainda não me parece negó... Não me parece uma boa.
Ele - Te convenço.
Ela - Faça.
Ele - Então passe pra cá meia dúzia de beijos e vamos ver o que acontece.
Ela – Passo. Mas acho que eu é que vou querer você como amante.
Ele – Pode querer. Pra você qual o melhor?Homem ou amante?
Ela - Qual dos dois é mais generoso?
Ele - O amante, porque mantem sua paixão mesmo sabendo do outro.
Ela - Ora, isso é só complacência. E o homem?
Ele - Mantém inabalável sua dose de ternura se julgando o único.
Ela – É.Isso não se aplica a mim. No meu caso ...
Ele - Disso eu bem sei.
Ela - Sabe?
Ele - Sei.Se não, dispensaria te falar destas coisas.Não é mesmo?
Ela –(ri) Por agora o que você acha de nós tentarmos ser espertos, e evitar que as plavras nos arranhem?
Ele - Por agora, podes fazer de conta que és só meu edredom. Fique arreganhadinha dormindo sobre mim.Grude esta sua xota como uma ventosa nas minhas coxas, ou onde quiser, e não falemos mais. No silêncio sabemos exatamnte o que se passa entre nós.

10.9.08

enquanto isso no meio do crânio

9.9.08

AkArAtApA

1

Ano de
AkArAtApA

É agora que se arreganha

A espiral do tempo!



4.9.08

É o que é

É o que vou fazer
Falar e falar e falar
E falar sem parar
Já que não tenho
mais nada a dizer.
Se me secarem as palavras
Começo então a escrever.
Uma escrita tagarela
Exatamente como aquela
De quem não tem
Nada a dizer.

3.9.08

fragmentos Jacarepaguenses (pregões)

As vezes zes fico muito nostálgico de mim mesmo, com saudade de tudo que já fui, de todos os meus pequenos sucessos cotidianos. Esta saudade não bate quase nunca mas quando bate, o que mais me pega é a imensa sensação de plenitude da infância. Nessas horas entendo tudo o que já li sobre o assunto. Entendo "Arurora da minha vida" do Casimiro de Abreu, e a peça homônima do Naum; entendo porque o Milôr fala do Méier e porque o João Cabral fala do capiberibe. É que nestas horas Jacarepaguá vira minha Itabira.

Os pregões

O pontilhado de pipas coloridas serelepes na frente do laranja do céu, parecia que realizava as manobras que dizia a locução Fla-flu do radin que transmitia a emissora AM. Ondas sonoras sobre o mormaço domingueiro. Um cachorro enrodilhado do lado do gato enrodilhado sobre o capacho da frente, tomam conta de qualquer novidade.
Êta jacarepaguaaá.

“Ê Piaçava, pêlo, rodo, esfregão. É o Vassoreiro ô ô.”

O pregão era um acontecimento naquela tarde modorrenta, mas o cachorro se deu ao trabalho de no máximo, levantar uma orelha.O gato se incomodou um pouco mais, e virou a cabeça no rumo de onde vinha o som.Viu uma engraçada figura equilibrando uma imensa quantidade de vassouras no laço do seu braço. Como se elas tivessem caíndo do céu e ele tivesse aparado todas numa unica braçada mesmo antes de tocarem o chão.
Era um sujeito com um riso de muitos dentes, e uma voz que se espalhava , ecoava nas paredes e se infiltrava nas casas daquele fim de rua. Ninguém, reclamava da invasão, as vassouras eram das Boas.
Aparecia de vez em quando. Nos fins de semana ia para Quinta da boa vista e vendia aquelas enormes bolas infláveis, coloridíssimas. O sujeito carrega numa rede, nas costas, umas trinta ao mesmo tempo. Um caranguejo urbano dentro de uma cobertura colorida de bolas. Uma vez ele apareceu na rua vendendo aquelas bolas. ..
Êta jacarepaguá

“Qüês-Qüês”

... apregoava seu Elias para vender seu Cuz-cuz branco daqueles de comer com leite condensado, caso você não quisesse um "quebra-queixo” ou uma cocada. Em seu pregão cuz-cuz virava Qüeês, Qüeês!
Buzinava e ‘Qüeês, Qüeês! Surgia aquela fila de moleques atrás dele, pedindo provinha do quebra queixo, apertando a buzina da bicicleta, tirando o chapéu de feltro da sua cabeça, atazanando o velhote que as vezes soltava umas histórias, umas adivinhações, que a molecada topava para tentar matar a gulodice. Quem acertasse ganhava um naco disto ou daquilo. Durante a semana aparecia só de vez em quando. Mas Sábado a tardinha, quando a molecada brincava na rua, era certeza que ele apareceria. “Qüês-Qüês”.
... E vendia que era uma beleza. “Qüês-Qüês”...E tirava mais um Fon-Fon da buzina. , dava um impulso na bicicleta, com um pé no pedal da e outro no chão, e partia...

"Élll o o Padeirôô”

O Joel, era um padeiro tão matutino que dava raiva.Principalmente no fim de semana quando não tinha pão doce que tirasse o azedume de acordar cedo. Com aquele “Élll o o Padeirôô”. E esse “El” não era nenhuma sobra de espanhol, não. Era pro aviso se acomodar na boca e chamar atenção. E dava certo. O bordão ia longe, só que era chato. O lado bom é que ele, fazia fiado , num tipo de acordo mudo, já que toda a rua comprava pão, leite e as vezes até aqueles sonhos gordurosos que vendia.Em troca ele aceitava as dívidas de seus clientes, que caso contrário se ofendiam.
-Posso te pagar amanhã?
Ele levantava um fundo falso no banco de sua bicicleta, um banco do Botafogo, com franjinhas em volta, sacava uma cadernetinha (seu livro caixa) e dizia:
- O que vai ser!
Ele não fazia isto de um modo ostensivo. Ele sabia que para pessoa pedir fiado, iria comprar a beça. Como eu disse era um tipo de acordo que todos fizeram, sem precisar que nada tivesse sido dito. Uns aprenderam copiando os outros, e tornaram-se cúmplices entre si e com o Joel, de tal modo que a “conta do Joel” constava no orçamento mensal das famílias dali. O que ninguém esperava é que ele fosse comer a mulher do Frasão. Mas isso ninguém sabia e não serei eu a contar....

1.9.08

vasculhando as gavetas

Hoje fuxicando o que escrever achei isto. Não digo que não me reconheço nestas linhas, porque nãos eria verdade, mas já não reconheço o dia que escrevi. Um dia desses, a pouco tempo atrás, em que eu estava me sentindo o máximo a ponto de querer mudar o mundo, de novo. Não publiquei por que não o desenvolvi. Não o resolvi. Mas hoje esbarrei com uns moleques cheirando cola ou uma destas merdas, e resolvi por na roda do jeito que está.

Sim, sim essa é a vida que eu quero!Com um pouco menos de sofrimento no mundo. Mas essa vida. Quero que não haja mais injustiça no mundo. É. É por puro egoísmo sim. Fico muito triste de ver a maldade humana. Agora entendo aquela frase do Raul “o meu egoísmo, é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar” Sem discurso. Não sou um bom samaritano.Mas fico triste ao ver criacinhas que não sabem de nada da vida, se fudendo no asfalto. Fico por elas e por mim. Cerebrozinhos encarquilhados sem chance de virar qualquer coisa, não sendo muito mais que uns vermezinhos por aí.

Papo com dois pivetes.


- Aí Mané, Para de cheirar esta porcaria...
O moleque me olhou com uma cara de assustado.

- Não precisa se assustar não. Só estou conversando contigo. Joga fora esta porcaria se não teu cérebro vai encolher.

Era tinner ou outra destas merdas. O moleque olhou com curiosidade.

- Você é um cara que tem um corte de cabelo maneiro, parece ser um cara esperto mas teu cérebro vai parar de crescer se continuar nessa.Vai ficar do tamanho de uma maça pequena. Tá vendo aquele cara ali, tênis maneiro, relojão, negão sarado, vocês acham que aquele cara é esperto? Ele não cheirava estas merdas quando tinha a idade de vocês.

Um dos moleques jogou a garrafinha com o produto fora o outro tentou não jogar, mas acabou cedendo vendo o parceiro.


Meu cérebro é dos bons. Eu sei. É que eu cuido dele com carinho e o alimento com o que há de melhor. Bons sentimentos. Boas imagens. Boa vida na medida que isso é possível. Não falei isso pro moleque mas é disso que se trata. Por isso mesmo, eu queria que todos pudessem ter um o que nem o meu. Não que pensasse as mesma coisas, que tivesse os mesmos gostos. Mas que pudesse funcionar a toda e viver da melhor maneira possível. Quando penso isso me entristeço porque sei que na maior parte das vezes isso não é uma questão de escolha, é apenas o que a merda do mundo coloca ao alcance destes moleques.
Minha felicidade não pode ser completa com este monte de merda do lado de fora da janela do meu umbigo.