Ele foi um dos meus maiores motivos de fascínio quando descobri a Ópera. Tema de diversas histórias de deslumbramento com a música e testemunha de minha falta de traquejo com a etiqueta erudita. Eu já estava trabalhando lá havia alguns dias e ainda não o conhecia. Até que um dia percebi aquele burburinho no Municipal: dia de ensaio com o Maestro! Pouco depois vinha ele falando com quem tinha que falar, cumprimentando a todos. Quase duzentas pessoas naquela sala esperando seu comando. Nada de mais nada de menos até que começasse seu trabalho, que o transfigurava. O maestro é um músico do gesto. O bailarino dos pés atados que dança com as mãos. Uma das coisas mais belas que já vi: o maestro trabalhando, esculpindo sons feitos pelos outros! Cordas, couros, palhetas, metais, madeiras, vozes, tudo organizado pedaço por pedaço. Que belo e complexo instrumento é uma orquestra sinfônica! Acho que ele foi o primeiro grande maestro que vi. Com uma arrogância admirável de quem sabe o que faz. Tinha a altivez sublime de todos os maestros em sua batuta. Era da Escola Italiana onde a ópera é o dialeto da música. Um arquétipo de um Regente. Dizia: Maestro Verdi não escreveu assim! E vociferava palavras italianas enquanto os músicos e cantores oscilavam entre o ódio e o amor, mas sempre seguindo seus comandos com respeito e admiração. Quando dizia: Da Cappo! Um silêncio se instaurava. Batia a batuta na estante. Um silêncio eleoqüente! Levantava sobrancelhas, sacudia o cabelo, ventava a casaca,estancava e em seguida apalpava o ar de onde saiam sons vibrantes e solenes. Respirava fundo e de sua batuta acionava mais e mais sons apaixonantes que escorriam por entre aquela babel de instrumentos...
Agora resta um silêncio triste, só quebrado pelo marulhar das ondas...
Tempo atrás publiquei um desnho inspirado nele, que volto a publicar aqui. Agora presto essa última homenagem a essa admirável figura que guardarei na lembrança:
Maestro Silvío Barbato!
Que partiu em seu último vôo e não chegou à França!
Tempo atrás publiquei um desnho inspirado nele, que volto a publicar aqui. Agora presto essa última homenagem a essa admirável figura que guardarei na lembrança:
Maestro Silvío Barbato!
Que partiu em seu último vôo e não chegou à França!


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