28.2.10

trip 2

 à frente a aeromoça fazi sua pantomima, atrás sua colega de voz charmosa  faz a narração, aquele corolário de recomendações que todo mundo sabe. O brinquedo se move enquanto isso. O pão de açucar passeia de janela em janela. Me lembrei que nunca tinha andado de avião. Eu já tinha lembrado e esquecído disso muitas vezes, mas agora não tinha como. O ronco, a  trepidação faz com que todos sejamos o avião. O azul do céu já está rebolando de um lado pro outro. O Rio de janeiro já virou uma lembrança do google maps. Num momento as nuvens são um teto bem próximo, no outro já são um chão afastado. A nindiferença dos demais passageiros e irritante.Voar é desconcertante. O dia está uma pintura em alto contraste. Passo a considerar uma falha de caráter não ficar deslumbrado com tudo isso.Num segundo entendo todos os meus amiguinhos que queriam ser piloto de avião ou astronautas.As nuvens, lááá em baixo parecem espuma de sabão em pó quando se faz uma faxina daquelas. Por um segundo entendo todos que tem tara de trepar em banheiro de avião, entendo toda a fama de tarado dos comissários de bordo, o fetiche em torno das aeromoças. Agora o chão de núvens, lá longe, abaixo de nós é compacto e fofo. Se o avião cair será amortecido. Rá! acabo de sacar a noção de imensidão intima do Bachelard! Saquei tudo do lance de espaço como devaneio e alimento da imaginação!!! Maldito Bachelard genial!  As aeromoças trabalham feito cão, nos alimentam, estão todas bem aprumadas e sorriem sempre que agente quer, não precisam nem ser bonitas.  Numa curva tudo treme,  lembro dos brinquedos do parque de diverções lá da Taquara.                                 
O avião é uma engenhoca e tanto.          

0 comentários: