23.7.10

A dor do amor que não chega

Numa dessas conversas , falavamos sobre o amor, ambos mais ou menos desalentados. Na época eu e meu bom amigo padeciamos do mesmo mal, e que não vem ser o do desamor ou da paixão não correspondida, mas o mal do amor que não vem. Quando conversamos eu lhe disse que tinha escrito sobre isso mas nunca tinha publicado. Agora que as coisas parecem ter  mudado, parece bom olhar pra trás...


A dor de um amor que não chega
É uma dor que não cessa
Não termina porque não começa
Mas que a todo momento surge
Como a tristeza de um navio parado
Desancorado
Carcomido de ferrugem


A dor de um amor que não chega
É a dor da dor
Que arde mas não bate
Deixa o coração seco, fraco
Opaco, pintado de guache
Fingindo tingido de fresco
Mas com o tom azedo
Do rubro do extrato de tomate


A dor do amor que não chega
É a dor da falta de não se sabe o quê
É um suspiro quando se tem asma
É a sede ao ver a última dose derramada
É como ser o prefeito perfeito
De uma imensa cidade fantasma


Dessa coisa toda, de quase nada me livro
Morro de saudade de mim ingênuo e calmo
Saudade do grande mistério que era tudo
O amor que não chega é a própria dor de estar vivo.

2 comentários:

Thaís Nogueira disse...

Vontade dos seus escritos... Cê não volta a escrever por aqui?

Bruno disse...

Saudades eternas do eterno mestre, que vai ficar eternamente na minha memória como o eterno ídolo que eternizou o teatro no âmago do meu ser...eterno.

Meus eternos obrigados! E minhas eternas saudades eternas!